Cartão de Crédito Consignado, a verdade que a Instituição Financeira não te conta!

                    Sabemos que muitos brasileiros acabam contraindo dívidas ou até mesmo a fim de realizar seus sonhos a curto prazo, socorrem-se às instituições financeiras à fim de pactuar contrato de empréstimo/financiamento.

Raras são às vezes em que o consumidor detém informações corretas e conhecimento técnico do produto que está adquirindo. É justamente com está falta de conhecimento que os bancos contam.

                    Vou explicar o porquê:

                    Imaginamos a seguinte situação: Um servidor público possui a opção de contratar empréstimo consignado em folha de pagamento, ou seja, o banco irá fazer o desconto direto no contracheque do consumidor.

                    Agora, vamos supor que este servidor público, por n motivos (muitas vezes por ser encontrar em alto nível de endividamento), resolve contratar mais um empréstimo consignado. O banco em tese, apresenta a melhor opção para este consumidor, como sendo o empréstimo consignado via cartão (nesta modalidade o cliente pega o valor/crédito total disponível do cartão e paga de forma parcelada). O que à instituição financeira não te conta, é que você está na realidade pegando o limite total do cartão de crédito e irá pagar mensalmente a fatura, no entanto, será o valor mínimo.

                    Assim, todo os meses correrão juros sobre juros a serem pagos. Por mais que sejam feitos os descontos na sua folha de pagamento, a dívida muito provavelmente não terá fim!!! E é aqui que os bancos lucram com a falta de conhecimento do consumidor.

                    Exemplificando:

                  Contratação em 05/01/2018 no valor de R$ 20.000,00. O banco deposita o dinheiro na conta bancária que você indicar (muitas vezes nem envia o cartão e mesmo que envie, não tem como você usar sendo que já pegou todo o limite, não é mesmo?)

                    Primeira Parcela Jan/2019: R$ 800,00

                    Segunda Parcela Fev/2019: R$ 800,00

                    E assim sucessivamente....

                    Acontece que este desconto de R$ 800,00 (oitocentos reais), não é o valor da parcela. É O VALOR MÍNIMO PARA PARCELAMENTO DA FATURA!

                    Ou seja, em Janeiro você pagou o mínimo de uma fatura de R$ 20.000,00. Pagando o mínimo da fatura você entra no crédito rotativo e além de pagar os juros sobre juros de janeiro até fevereiro, irá pagar de fevereiro a março e assim sucessivamente, além de outras multas e encargos.

                    A sua dívida só terá fim se você efetivamente pagar o valor total da fatura que a esta altura já está em mais de R$ 20.000,00.

                   Em outras palavras, promove-se o desconto em folha de pagamento do consumidor todo mês, tão somente do valor mínimo da fatura, para no mês seguinte, refinanciar o valor total da dívida restante, acrescendo ao saldo devedor, mês a mês, as mais variadas taxas, juros exorbitantes e capitalização, de forma que esses débitos, simplesmente, nunca terão fim.

                   Não havendo o pagamento total, o banco todo mês irá descontar o mínimo da fatura em sua folha de pagamento como se empréstimo consignado fosse durante anos!

                    Colhe-se da jurisprudência o entendimento de que o Cartão de Crédito Consignado deve ser convertido para a modalidade Empréstimo Consignado em folha de pagamento, além dos cálculos para verificar se assim o contrato já está adimplido, bem como devolução em dobro das parcelas pagas cumulada ainda com indenização por danos morais em decorrência do ato ilícito praticado.

                    Inclusive o Tribunal de Justiça de Goiás sumulou entendimento, em decorrência da relevância do tema:

                    Súmula 63 - Enunciado

                   Os empréstimos concedidos na modalidade “Cartão de Crédito Consignado” são revestidos de abusividade, em ofensa ao CDC, por tornarem a dívida impagável em virtude do refinanciamento mensal, pelo desconto apenas da parcela mínima devendo receber o tratamento de crédito pessoal consignado, com taxa de juros que represente a média do mercado de tais operações, ensejando o abatimento do valor devido, declaração de quitação do contrato ou a necessidade de devolução do excedente, de forma simples ou em dobro, podendo haver condenação em reparação por danos morais, conforme o caso concreto.

                    O assunto em tese é relativamente novo, pois quando se fala em empréstimo consignado, as pessoas não mencionam que foi por meio de cartão, justamente pela falta de conhecimento das mazelas que este tipo de contratação traz para sua vida financeira.

                    Os bancos adoram vender este tipo de produtos principalmente para os idosos e pouco importa se você é servidor público na ativa ou aposentado ou pensionista do INSS, se o banco tiver a oportunidade, ele vai te empurrar esta modalidade (que é mais vantajosa para ele)!

                    Principalmente aqueles bancos que se dizem “bancos dos pensionistas e aposentados”. FIQUEM DE OLHO, às instituições financeiras tem o dever de informar os clientes sobre seus produtos e serviços, nos termos do Códex consumerista!


                 


Comentários (0)


Deixe um comentário